
Nesse livro, os conflitos, as paixões, as instabilidades da adolescência são muito bem abordados. Em meio a histórias de vampiros, a amores impossíveis, a trama se desenvolve pautada principalmente na abordagem emocional das duas personagens. Edward e Bella, duas pessoas tão diferentes, mais do que Bella poderia imaginar até, e que no decorrer da história criam um amor sem precedentes. Ele tão perdido em sua solidão, fechado no grupo que compunha com sua família. Ela tão madura e ao mesmo tempo tão insegura, uma jovem que tinha como maior desejo ser o mais próximo possível do normal.
A falta de expectativas que ambos tinham pela vida certamente foi o ponto que os uniu. Uma adolescente que só queria ficar sozinha, nem sempre era fácil naquela cidade onde ela, por ser nova ali, era uma das grandes atrações. Um vampiro que se recusava a aceitar sua essência “monstruosa”, uma opção difícil, mas necessária se ele quisesse manter viva a chama humana que lhe restava.
Em meio a tanta normalidade, à “solidão” a qual ambos se submetiam, configura-se uma atração avassaladora. Uma atração um tanto conflitante diga-se passagem, não seria fácil para ambos abraçar de tal forma o sentimento sendo eles tão diferentes. Em contrapartida sentiam que seria impossível negar aquilo que sentiam um pelo outro, e talvez não o quisessem na verdade, afinal era aquela a primeira vez em que os dois se sentiam tão felizes, tão vivos.
Edward, sua família, Bella.. todos sabiam que não seria tarefa das mais fáceis levar adiante toda essa paixão. Nesse momento o apoio da família de Edward foi essencial. Afinal, nem sempre é tão fácil ir adiante quando as pessoas à nossa volta, aqueles que mais amamos não estão do nosso lado. E é em meio a tantas dificuldades e algumas resistências [visto que Rosalie Cullen ainda não via com bons olhos o relacionamento] que Edward e Bella assumem seu relacionamento.
O grande foco da narrativa não é um mero conto de vampiros, ou a história de um adolescente em crise. Somos todos instáveis por natureza, cheios de defeitos, qualidades e isso é bem explicito nas personagens no decorrer da história. Bella então descobre que tinha uma escolha. Ela poderia continuar humana, e aproveitar com Edward o tempo que lhe restava, infeliz por não se contentar em tê-lo para sempre, aquele que a faz tão bem, ou se tornar uma vampira, perder parte de sua humanidade, acostumar-se em ser a sombra de um humano, e ter Edward pra sempre, aquele que continha a chave para a sua felicidade.
A felicidade é algo difícil de se alcançar, algumas vezes aparentemente intangível, alcançá-la é, em alguns casos mais que uma mera busca, ela constitui uma quebra de paradigmas. Por que afinal, vampiros e humanos não podem se apaixonar? Por que é tão difícil para as pessoas, nós inclusive, aceitarmos que a felicidade não é um parâmetro, não é uma formula que se aplique a todos? Até que ponto as pessoas tem forças para abrir mão daquilo que lhes faz bem simplesmente porque foi dito que “não é assim que tem que ser”? Eis que o Sol agora não apresenta a luz dourada que lhe é de costume. Essa luz, diferente daquilo que estamos acostumados, nos permite então ver a vida sobre outra perspectiva. Não como as pessoas vêem ou querem que eu veja, mas de uma perspectiva muito particular. E esse crepúsculo está apenas começando.